domingo, 7 de março de 2010

The Virgin Suicides

As garotas entendem
Exemplo drástico onde meninas + opressão = suicídio

Em dia de Oscar, eu digo: Sofia Coppola é minha cineasta preferida. Não pelos ângulos, ou pelo seu modo de dirigir os filmes. Na verdade, não entendo nada dessa parte técnica de cinema e esse, provavelmente, é o primeiro (e talvez único) texto que escrevo sobre algum filme. Gosto de Sofia Coppola pela leveza com que atinge as entranhas do espectador. Com doçura, ela esfaqueia bem naqueles pontos mais sensíveis. Por causa disso, eu enrolei tanto para assistir As Virgens Suicidas (1999), o primeiro longametragem da cineasta. Só pelo nome era óbvio: choradeira na certa.

O roteiro, escrito por Sofia, é uma adaptação da obra homônima de Jeffrey Eugenides e conta a vida curta de cinco irmãs. O ponto de partida é uma tentativa de suicídio da mais nova das meninas: Cecilia, 13 anos. Questionada pelo médico, após ter cortado os pulsos, ela justifica a atitude:

“- O que você faz aqui, querida? Você nem é nova o suficiente para saber o quanto a vida é difícil.

- Claro, doutor. Você nunca foi uma garota de 13 anos.”

Mesmo narrada por um dos garotos vizinhos das adolescentes, a história trata de um fato básico: como é difícil ser menina e doloroso o processo de tornar-se mulher. Para isso, o filme usa de artifícios radicais: as cinco jovens, de família super católica, são reprimidas de todas as formas, com o agravante no quesito sexual. Criadas para permanecerem virgens, assim que o desejo por garotos aparece elas se dão conta da falta de liberdade em que vivem. Literalmente, sufocante.

Agora, o que me resta é aguardar o lançamento o quarto filme dirigido por Sofia Coppola: Somewhere, “uma história intimista ambientada na Los Angeles contemporânea”.


p.s. 1: Já postei o video abaixo aqui, repito porque é lindo.

p.s. 2: As Virgens Suicidas é o filme que todos os pais (mãe + pai) deveriam ter visto antes de criarem suas filhas.

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