quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Caulfield e Caulfield


Caulfield. O que é? Uma música. Quem é? Um garoto de 17 anos, quase meu amigo. Só não o é porque mora em New York City. Ah, tem também o empecilho temporal: ele vive no fim dos anos 40 e, ainda sim, está no meu quarto. Brincadeiras a parte, Holden Caulfield é o famoso personagem do escritor J.D. Salinger e o título de uma não tão famosa música do Dance of Days. Mais que New York City, o mundo dele é ligado ao nosso através do papel, da tinta e, claro, das palavras.

Sabe, aquele livro que o assassino do John Lennon pediu para o artista autografar antes de mata-lo? Então, este. O Apanhador no Campo de Centeio. Caulfield, a música, é faixa título de um álbum lançado em 2002 com o nome de Coração de Tróia. E óbvio, que este foi o primeiro dos Caulfield que eu conheci. Para ser sincera, só conheci o Holden Caulfield a pouco tempo.

O Apanhador no Campo de Centeio mostra o fim-de-semana decisivo de um garoto da high society nova-iorquina. E ele não é qualquer um, Holden está em crise mas escreve bem para chuchu. Pai advogado e tudo, internato cheio de sacanas, irmãos todos inteligentes, cigarros e drinks, garota cem por cento para quem ele nunca consegue ligar.

E a música? Ela soa como um misto entre o compositor e o próprio Caulfield. O que me chamou atenção a primeira vez que ouvi foi a oscilação entre a calmaria e estes versos que o vocalista Fábio Nenê Altro canta desesperadamente: “Eu nem sei se eu quero saber se amanhã vai ser igual (ou não)... Porque me assusta tanto não ter histórias pra te ouvir contar.”

As histórias do Holden realmente fazem falta. Não sei se gosto dele ou não, mas o fato é que era como se ele estivesse conversando ao meu lado, ou talvez, eu fosse o próprio. Só espero que ele tenha conseguido salvar as crianças do campo de centeio.

p.s.1.: 0o an?!

p.s.2.: A letra do Dance of Days (ouvir?):

Caulfield

Não vou saber dizer o que há... / Não vou poder jamais explicar / os dias em que pensei ter respostas para tudo / fingindo ser forte e negar / que eu nem sei se eu quero saber / se amanhã vai ser igual (ou não)... / Porque me assusta tanto não ter histórias pra te ouvir contar. //

Quão mais tentei saber e falar mais tropecei em minha língua. / Esperas que eu seja forte atrás deste escudo que nunca me deixou enxergar que eu nem sei / se eu quero saber se amanhã vai ser igual (ou não)... / Porque me assusta tanto não ter ninguém pra poder abraçar. //

Teorias de viver não me deixaram rumos e agora eu estou parado. / As pessoas vão e vem e é tudo tão confuso... / eu só queria voltar pra casa. / Mas agora nem mesmo você está aqui pra me explicar. / Eu juro, eu tentei correr, mas acho que foi tarde demais. / Agora quem vai se importar? / Meus dois braços não vão bastar e ninguém vai me ajudar a tirar as crianças do campo... //


5 comentários:

Túlio Moreira disse...

já li mtas criticas positivas sobre esse livro, q é um dos mais cultuados nos EUA...

e com certeza vc vai me emprestá-lo depois, ahoehaoeh

(aliás, preciso devolver o seu García Marquez... me lembra!)

bjão!

Evaldo Gonçalves disse...

eu quero emprestado.

Diego de Moraes disse...

me empresta, tambem?

Cindy F. disse...

"no duro mesmo"

sempre gosto quando ele diz isso!

adoro esse livro.

mari disse...

eu adoro quando ele diz que algo é infernal, aliás
adoro esse livro
leitura anual e todo ano vc pensa alguma coisa diferente dele, desde quando eu tinha a mesma idade até hoje.
Experimente fazer isso.