sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Indo pra Goiânia, bacana

Fortaleza, julho 2009

Antes de tudo, um forte. Em loco, é bem mais fácil entender o velho Euclides da Cunha. A sensação de estar no nordeste antes mesmo de chegar até ele. Dos 46 passageiros da saga Goiânia – Fortaleza (e Fortaleza – Goiânia) só eu e a Bia éramos aqui do cerrado. Cachorro, sofá, papagaio, velho, menino, cabra macho, ôxi ... tudo e todos indo ou vindo do nordeste brasileiro. Um diagnóstico importante: as paradas do Galant (o nome do nosso ônibus) durante os quase 3.000 quilômetros cruzados têm uma razão precisa de existir.

O mundo como conhecemos em Goiânia, isso inclui também a imensa parte rural, termina em Barreiras – BA. De lá, as vistas abrem-se ao sertão baiano. A transição cerrado – caatinga foi concluída, ou seja, a paisagem e o modo de vida das pessoas já é diferente. Pela janela, o que dá para ver além dos cactos e dos paredões tem aqueles povoados e fazendas dignas de Abril Despedaçado (filme de Walter Salles). Em Petrolina – PE, demos adeus à terra sagrada, a Bahia, como definiu uma das passageiras do Galant. Petrolina = metrópoles regionais que a gente vê em geografia no ensino fundamental. Embarque e desembarque... o que lembro em seguida são milhares de lagoas cearenses até o desemboque final em Fortaleza.

E no meio da rua...

A cidade começa na rodoviária. De lá, para a avenida 13 de maio e o campus Benfica. Traçando parâmetros de comparação: três Goiânias mais sujas e com lugares muito mais lindos. Dica, fique hospedado num lugar na Beira Mar ou na Iracema. Se for morar, o bairro é Alagadiço Novo. Não se esqueça de pegar uma topic (micro-ônibus) para dar uma passadinha na praia do Cumbuco. Bagagem com bolo e pão com manteiga gera baixa auto-estima, porém boates em arquitetura démodé é cool. Não se esqueça da Coca KS para rebater.

p.s.: a melhor da viagem: "dignidade em destruição".

2 comentários:

Péricles Carvalho disse...

gostei muito da descrição disso tudo - sempre penso que a mudança de vegetação reflete, de alguma maneira, na mudança de como as pessoas vivem, como falam, costumes...

Não sei se gostaria, neste exato momento, de visitar o NE. Mas tenho ambições de desbravar o mapa, ah, isso eu tenho!


bjo

Juliana Marton disse...

achei bela a forma como você descreveu a transição de vegetação.

é como o Péricles disse, parece que essa mudança reflete em tudo e acaba por transformar tudo também.

beijo, Marcela. ;*