segunda-feira, 28 de setembro de 2009

More Scarlett!


Jornada da Heroína
*texto publicado originalmente na Revista Bula.

Scarlett Johansson canta. Descobri isso ainda no filme “Encontros e Desencontros” (2003), onde a atriz dá uma palhinha num karaoke de Tóquio. De dentro da trama, ela conseguiu externar esse talento somente ano passado. Espera e expectativa gerou um sentimento de “o que vem?”. “Anywhere I Lay My Head” é composto por versões milimetricamente surreais de músicas do cantor/ator estadunidense Tom Waits.

Desde a capa do álbum, Scarlett Johansson convida a sua mais nova espécie de público (os ouvintes) a mergulhar num conto de fadas. Seria ela uma bela adormecida repaginada? De qualquer forma, o disco introduz o clima etéreo na primeira faixa, a instrumental “Fawn”. A voz de Scarlett entra em cena na sombria “Town With No Cheer”. A música nos apresenta a voz sem frescura da cantora. Sim, ela merece esse título. Não que Scarlett seja das mais afinadas do mundo, mas o timbre meio rouco, arrastado pega os desavisados de jeito e encanta.

De todas as outras 10 faixas, “Falling Down” é a minha preferida. Qual as chances de se encontrar uma canção que tenha o seu nome e ainda por cima gravá-la? Scarlett Johansson consegue esse feito. Pelo visto, o compositor Tom Waits também teve uma musa chamada Scarlett. E a versão da nossa, é o misto de hino apaixonado com uma saga medieval. Uma queda. (Ouça aí no post abaixo)

Depois, acende a faixa título do disco. “Anywhere I Lay My Head” talvez ganhou este status por representar uma síntese do trabalho. Teclado, barulhinhos, suavidade nas guitarras e até nas pegadas da bateria contribuem para a formação do clima surrealista. E Scarlett? Parece mais distante que o ouvinte, a voz viajando em decibéis por aí.

O restante do álbum desenrola-se com delicadeza e as músicas parecem beijar nossos ouvidos. Especialmente “I Wish I Was in New Orleans”, uma linda canção de ninar. Em “I don’t want to grow up”, viajamos de bateria eletrônica à sussurros. O disco acaba com “Who are you?” e Scarlett Johansson mostra o quão grave pode ser a sua voz. Sim, esse foi o fim de “Anywhere I Lay My Head”, mas não o fim da discografia da cantora.

Ao lado do cantor Pete Yorn, Scarlett lançou este ano o “Break Up”. “Um álbum profundamente emocional, mas cheio de melodias, sobre uma relação tempestuosa”, como define a própria descrição do disco. Ainda não ouvi o álbum o suficiente para minha própria descrição, mas primeira a música já considerei viciante. A animadinha “Relator” abre “Break Up” com louvor e demonstra boa sincronia entre a dupla.

Uma definição prematura? Scarlett Johansson é indie.

p.s.: a minha afirmação final ainda faz mais sentido ao vasculhar a carreira musical da moça. Um dos pontos de partida foi uma participação no show do Jesus and Mary Chain, durante o Festival Coachella de 2007.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Scarlett and me!


Eu percorri 500 milhas

Só para ver uma auréola

Vim de São Petersburgo

Scarlett e eu

Scarlett Johansson - Falling Down

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Um email para Mayara

07/02/2009

Elas tinham entre 18 e 20 anos e caminhavam sem medo pelas ruas. Era madrugada de sexta para sábado, e com exceção dos carros que passavam pela avenida, elas não viam uma alma viva. Atravessaram a tal avenida, duas garotas quase atropeladas, mas quem se importava? O importante era a alegria latente que percorria as entranhas das quatro jovens. No momento, elas nunca poderiam identificar que sentimento era aquele. Tudo bem. O que elas sentiam naquela noite vazia era algo bem mais sutil. Era o doce e inesperado sopro de liberdade.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Alegre coisa nenhuma!


A tristeza atrás das cortinas eletrônicas


Música eletrônica é sinônimo de alegria? Não para nós! Claro, nem todos percebem: por detrás daquela pegada dançante esconde-se um eu-lírico (?) digno de Coldplay, Radiohead e qualquer outra música de fossa que vocês conheçam. E essa ideia, não tem muita coisa de nova. É algo que o New Order fazia há mais de 20 anos. Lembrem-se, um dos maiores sucessos dos ingleses é o clássico eletrônico Blue Monday (felicidade nem no título). Enquanto isso, o Depeache Mode consagrava os seus sintetizadores na penumbra de Enjoy the Silence.

Eles até tentam, mas esses electros não me enganam. É tocar e a noite não será mais a mesma, não é Marília? Então resolvi fazer, não bem um top 5, mas uma listinha aleatória de alguns deles. Começamos, mais ou menos, do presente e vamos nostalgicamente anos a dentro! Ah... reparem os clipes, são os melhores!


Cut Copy – Hearts on Fire

Cheia de influências noventistas, com direito a gritinho cluber e tudo, essa quase me engana em todo play. Oras, tenho até vontade de bater palmas no meio da música. Mas o tom de voz da colega Laís ao me indicar a música já me fez decifrar. Chove todo dia sobre nossas cabeças.

I've been searching for a love alive

Drowning in the silence as we walk the night


Empire of The Sun – Walking on a dream

Essa já até ganhou post aqui. Segue algo que escrevi em maio:

“Cenário místico é completado pelo tom da melodia inicial e o vocalista Luke me fez acreditar que acabo de pisar num lugar onde reina a magia. As frases de impacto te convidam a cada vez mais mergulhar no império confuso e belo da dupla. Is it real now? When two people become one. Realmente, Walking on a Dream por si só honra o nome do Empire of The Sun. Mas esse é apenas o amanhecer.”


Roger Sanchez – Another Chance

Essa, a Marília já definiu para gente no post mais recente do Pinguim de Frigobar. “Qual o seu clipe mais bonito de todos os tempos? Desde que eu vi pela primeira vez o meu tem sido esse. Incrível como uma música eletrônica de três versos pode ser triste e fazer você repensar todo o último ano.”

Outra chance? Coração pesado demais?

Dedico aos desesperados. E isso não foi pejorativo.

If I had another chance tonight

I'd try to tell you that the things

We had were right


Daft Punk – Emotion

Última faixa de um disco dedicado às sensações humanas básicas (Human of the all, 2005), é a música monossílaba mais cativante que eu conheço. Síntese básica da música de computador, os samplers e quer mais tenha nos quase 7 min de canção, Emotion é como embriagar-se de algo doce e viciante. Que tal?

Emotion


Le Tigre - Eau d'bedroom dancing

Essa me mata três vezes: o título, a entrada da guitarra, e a voz da Kathellen Hanna entoando os versos mais simples e bonitos… como tudo que ela faz! Le Tigre, e em especial Eau d’bedroom dancing, é a minha cara... logo, sou suspeita.

Eu estou no céu quando eu estou no chão

O mundo é uma bagunça e você é minha única cura

Não há mais tempo para me fazer de madura…


Haddaway – What’s love?

Clássica das boates! E por isso, eu nunca imaginaria que seria o nick triste de certa pessoa, certo dia. E simplesmente vejo a maravilha de clipe. What’s love? é dessas canções conhecidas desde sempre. Não se lembra a primeira e nem a última vez que ouviu. Porém, a conclusão é certa: é empolgante!

Empolgante coisa nenhuma! Por detrás do olhar sedutor, o cantor Haddaway esconde a dor mais triste do mundo. O medo de amar e ser ferido. (Sim, essa foi brega mas não menos sincera!)


Faixa Bônus Premium

Santa Claus – Grande Ilusão

Você só precisa de uma guitarra, um programa de computador e uma ideia!


Quando o meu olhar encontra o seu

Caio na paixão que me fodeu.

http://www.myspace.com/staclaus

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Just like heaven

Trecho de algum filme do Tim Burton. É a impressão que os clipes do The Cure deixam no ar. Não só pelo cabelo e pela vibe Edward Scissorhands que o vocalista Robert Smith mantem até hoje, mas pelo clima soturno e misterioso… Como um filme triste com traços góticos.

Provavelmente, mostrei esse clipe para todo mundo que lê isso aqui. Mas, como é uma das combinações letra/música que mais gosto, sou obrigada a postar. Como não consegui retirar uma estrofe mais bonita, porque todas são, vai a letra completa. Enjoy the trip!



The Cure – Just like heaven


"Me mostre, me mostre, me mostre como você faz esse truque

"O único que me faz gritar..." - ela disse.

"O único que me faz sorrir..." - ela disse.

E atirou os braços em volta do meu pescoço.

"Me mostre como você faz isso

e eu te prometo, eu te prometo que

eu fugirei com você.

Eu fugirei com você..."

Girando até ficar tonto,

eu beijei seu rosto, beijei sua cabeça

e sonhei com todas as maneiras diferentes

pra fazer você brilhar.

"Por que você está tão longe?" - ela disse.

"Por você nunca soube que eu estou apaixonado por você,

que eu estou apaixonado por você?"

Você... Suave e única.

Você... Perdida e sozinha.

Você... Estranha como os anjos.

Dançando nos mais profundos oceanos, girando na água...

Você é como um sonho, assim como eu tenho sonhado.

A luz do dia me deixou em forma, eu devo ter adormecido por dias.

E movi meus lábios para respirar seu nome, eu abri meus olhos

e me encontrei sozinho, sozinho...

Sozinho a atormentar o mar

que roubou a única garota que eu amei e afogou-a dentro de mim.

Você... Suave e única.

Você... Perdida e sozinha.

Você... É como o paraíso.



p.s.1: Mesmo sendo um dos seres mais estranhos do rock, quem não se casaria com o Robert Smith? Quem? Quem? Quem?

p.s.2: Devo um post sobre um gênero musical em comum com a Marília (e ela voltou com o blog Pinguim de Frigobar) e outro sobre Curitiba, claro.

domingo, 30 de agosto de 2009

Força sempre!


Renato Russo – o filho da Revolução
autor: Carlos Marcelo

Acabei de ler a biografia Renato Russo – o filho da Revolução. O livro trata dos primeiros anos da vida de Renato até a consagração do sucesso, por volta de 1988. Nele, a cena brasiliense, as férias no Rio de Janeiro, a infância em Nova Iorque. E não foi só mais um livro. Fotos, manuscritos, e até provas, trazem o artista para mais perto do leitor. O bom é a contestação de algumas coisas. A maior delas é como eu me identifico com o Renato. Disso todo mundo que me conhece já sabe, mas as coisas são mais difíceis de explicar.
Eu não só simplesmente gosto das músicas desde os 12. Como nenhum artista, a figura do Renato me acompanhou como irmão mais velho, pai e amor platónico (pronto, falei). Se existiu alguém no mundo muito parecido comigo, esse alguém foi ele. Ele Áries ascendente em Peixes, eu Peixes ascendente em Áries. Não sei até quando Tempo Perdido, Baader-Meinhof Blues ou Marcianos Invadem a Terra farão sentido para mim. O importante é: desde que me entendo por gente, eu sou essas músicas e elas me são.
E o Renato? Um garoto comunicativo? Deslocado? Transloucado? Drogado? Apaixonado? Tudo e um pouco mais, assim como a sua cidade… Brasília. Uma terra sem alma, como disse Simone de Beauvoir. Talvez, apenas uma selva de concreto, com corpos de candango nas paredes. Terra de gente que cospe no próprio sucesso? Ao menos, em 1988, foi assim… no grande show onde a Legião foi a expulsa.
No mais, o autor Carlos Marcelo reconstrói a vida dos Manfredini (a família de Renato) e de tantas outras que se desafiaram a criar os filhos na Brasília dos anos 1970. Daí, para controlar os adolescentes nos 1980. Coisa um pouco difícil para os moradores das superquadras, no Plano Piloto. O Aborto Elétrico estava lá. “E cuidado pessoal, lá vem vindo a Veraneio”.
O tempo passou e Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá já sabiam o que iriam ser quando crescessem.
Do francês,
Legion Urbaine.
Do inglês,
Urban Legion.
“Nós somos a Legião Urbana.”
Renato era repórter de rádio. Também tinha um programa sobre os Beatles. Um dia, ele dá a notícia dos sonhos para o chefe:
“-Eu vim pedir demissão, porque nós fomos contratados pela EMI-Odeon.” **
E a história da Legião começa a tomar forma, como nós conhecemos, em contrato assinado com a mesma gravadora do quarteto de Liverpool. A voz de Renato torna-se a voz da “nova geração.” Mas a parte que gostei mesmo, foi a descrição do processo de gravação do disco Dois (sempre presente nas listas de melhores discos de Rock Brasileiro). Talvez, porque ele tem uma das letras mais lindas que já vi. Talvez, seja mais poema do que música. Ele falaria de pintura, então nada melhor do que consultar um amigo pintor.
“- Porra Renato! Não é assim que se mistura acrílico. O solvente é água. É melhor você chamar (a música) de Oil on Canvas.
- Eu vou chamar de Acrilic on Canvas. Isso é licensa poética: a minha tinta acrílica eu dissolvo onde eu quiser.”
Depois de tanto tempo não ouço mais Legião Urbana todos os dias, mas lembro da maioria das canções. E ainda sim, toda vez que penso ou lembro ou conheço mais a respeito do Renato Manfredini Júnior (e não só do artista) sinto uma melancolia estranha. Lembro dele presente na minha vida muito mais que pessoas do meu convívio diário. Lembro dos meus 15 anos, da primeira vez que ouvi Quase sem querer e da crise de choro consequente. “E o resto não sei dizer.”
URBANA LEGIO OMNIA VINCIT.
p.s.: ** Se eu fosse o Renato ou o autor do livro, com certeza acrescentaria um “Bjs” básico.




"Mesmo se as estrelas começassem a cair
A luz queimasse tudo ao redor
E fosse o fim chegando cedo
Você visse o nosso corpo em chamas!
Deixa, pra lá...
Quando as estrelas começarem a cair
Me diz, me diz
Pr'onde é que a gente vai fugir?"

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Indo pra Goiânia, bacana

Fortaleza, julho 2009

Antes de tudo, um forte. Em loco, é bem mais fácil entender o velho Euclides da Cunha. A sensação de estar no nordeste antes mesmo de chegar até ele. Dos 46 passageiros da saga Goiânia – Fortaleza (e Fortaleza – Goiânia) só eu e a Bia éramos aqui do cerrado. Cachorro, sofá, papagaio, velho, menino, cabra macho, ôxi ... tudo e todos indo ou vindo do nordeste brasileiro. Um diagnóstico importante: as paradas do Galant (o nome do nosso ônibus) durante os quase 3.000 quilômetros cruzados têm uma razão precisa de existir.

O mundo como conhecemos em Goiânia, isso inclui também a imensa parte rural, termina em Barreiras – BA. De lá, as vistas abrem-se ao sertão baiano. A transição cerrado – caatinga foi concluída, ou seja, a paisagem e o modo de vida das pessoas já é diferente. Pela janela, o que dá para ver além dos cactos e dos paredões tem aqueles povoados e fazendas dignas de Abril Despedaçado (filme de Walter Salles). Em Petrolina – PE, demos adeus à terra sagrada, a Bahia, como definiu uma das passageiras do Galant. Petrolina = metrópoles regionais que a gente vê em geografia no ensino fundamental. Embarque e desembarque... o que lembro em seguida são milhares de lagoas cearenses até o desemboque final em Fortaleza.

E no meio da rua...

A cidade começa na rodoviária. De lá, para a avenida 13 de maio e o campus Benfica. Traçando parâmetros de comparação: três Goiânias mais sujas e com lugares muito mais lindos. Dica, fique hospedado num lugar na Beira Mar ou na Iracema. Se for morar, o bairro é Alagadiço Novo. Não se esqueça de pegar uma topic (micro-ônibus) para dar uma passadinha na praia do Cumbuco. Bagagem com bolo e pão com manteiga gera baixa auto-estima, porém boates em arquitetura démodé é cool. Não se esqueça da Coca KS para rebater.

p.s.: a melhor da viagem: "dignidade em destruição".